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O Canto das Sereias

contos, estórias e outros

O Canto das Sereias

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Ter | 17.12.19

Não sei

Helena

Arrastou-a de qualquer maneira e atirou-a de barriga para a mesa, ao mesmo tempo que desabotoava as calças, ela resistiu e ele deu-lhe duas bofetadas bem fortes que a deixaram atordoada, depois levantou a saia e arrancou os collants e as cuecas e penetrou-a imediatamente enquanto ela se demovia para sair de dentro dele, ele voltou a agredi-la e ela simplesmente desistiu, as lágrimas começavam a sair dos olhos, e só esperava que aquilo terminasse rapidamente.

Quando ele terminou, ela não se conseguia mexer.

- Então tens nojo de mim? A partir de hoje vais deixar de ter, e tenho sexo contigo quando bem entender.

- Não, não tens.

- Não tenho? Enfurecido voltou a agredi-la desta vez com mais violência.

- Não, porque vou sair desta casa, deste casamento, seu nojento.

- Muito bem, se é isso que queres eu até ajudo. Agarrou-a pelos cabelos e arrastou-a até à porta de entrada, que a abriu e a atirou para o lado de fora.

- Que estás a fazer?

- Não queres sair do casamento? Então vais começar por sair da minha casa? Ou esqueceste que a casa já era minha quando nos casámos.

- Mas preciso de roupa, já viste como estou, e da chave do carro.

- Daqui não levas nada, a não ser com ordem judicial, mas até a conseguires já vai estar tudo queimado ou no lixo.

- Mas tu estás louco?

- Estou farto de ti há muito tempo, só não sabia como me livrar de ti, mas finalmente fizeste algo de útil. Ao traíres-me e com as provas que eu tenho, não levas nada daqui nem de mim.

- Que provas?

- Para a próxima não andes aos beijos numa praia e depois entres na casa dessa pessoa. Sim, tenho fotos.

- És verdadeiramente nojento. Se quiseres assinar o divórcio já amanhã eu assino, se o preço a pagar for ficar sem nada, que seja.

- É assim que queres, muito bem, à amanhã ao fim do dia terei o documento preparado. Só mais uma coisa, vais sair a bem da sociedade e se quiseres abres o teu próprio escritório.

- Tudo bem, também não tencionava continuar a trabalhar no mesmo sítio que tu.

- Sabes que tudo o que tens de nada valia em frente a um juiz, mas como disse, se o preço a pagar for ficar sem nada para me ver livre de ti, assino. Mas por favor dá-me pelo menos um casaco e uns sapatos.

- Não te dou absolutamente nada, apenas a tua carteira, para não teres ideias e ires à polícia.

Atirou-lhe com a carteira e fechou a porta. Helena estava ainda no chão toda dorida, com a roupa rasgada e descalça. Em silêncio, levantou-se com dificuldade, e ouviu alguém a abrir a porta e sussurar. Era a vizinha, que a chamava de forma discreta.

- Por favor Dra. Helena, entre.

- Não se incomode eu fico bem, são só uns arranhões, e trate-me só por Helena.

- São só cinco minutos, não pode ir para a rua neste estado, com o frio que está.

Helena entrou e a vizinha apressou-se a ir buscar um casaco comprido e quente e umas sapatilhas.

- Espero que lhe sirva, e agora vá para bem longe deste monstro, e se precisar de mim para alguma coisa, eu estarei disponível. Eu sei que ele sempre lhe bateu, mas hoje ultrapassou todos os limites. Se precisar que eu testemunhe em tribunal, eu irei.

- Obrigada Margarida.

- Tem para onde ir?

- Vou para um hotel e amanhã logo penso o que fazer.

- Então leve pelo menos um fato de treino e roupa interior.

Margarida apressou-se e arranjou-lhe uma mochila e entregou-a.

- Tem aí tudo o que precisa para dois dias.

- Estou-lhe muito agradecida e jamais esquecerei o que fez por mim. Mas é melhor ir antes que sobre para si.

Vestiu o casaco e as sapatilhas e saiu em silêncio. Não chamou o elevador para ele não perceber que ainda ali estava, e desceu as escadas com muita dificuldade. Quando chegou ao átrio em que viu como tinha a cara ao olhar para o espelho.

Não podia ir para um hotel naquele estado, saiu do prédio e começou a andar sem destino, mas começou a reparar que as pessoas estavam a olhar para ela, e quando viu um táxi, fez sinal para parar. Entrou em silêncio.

- Para onde quer ir?

- Não sei

 

 

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